
ateu-me aquela vontade de escrever, mas não tenho nenhum tema em vista, apenas quero libertar meus pensamentos sem ter que me preocupar com um início, meio e fim. Apenas quero escrever, não me importando com coesão, coerência e muito menos regras. Quero ver-me livre delas, pelo menos por um instante. Será isso realmente possível? Será realmente possível sermos livres? Livres das regras, das dores, do sistema, dos medos, dos amores, das ilusões… De tudo?
Em certos momentos não me sinto disposta a muita coisa, ou a nada, não se trata de preguiça, mas sim de uma fadiga mental, psicológica, emocional. Enquanto vago pelos meus pensamentos vou percebendo que o mundo não espera por mim, ele avança continuamente deixando para trás tudo e todos que não o acompanham. Em certos momentos eu não o acompanhei, mantive-me estática, fria e, ainda consciente, vi vidas passando, sentimentos morrendo, dúvidas nascendo, esperanças perecendo… Vi, pensei, tentei, mas fiquei!
Levanto-me sem saber o que será do meu dia, não me entendo, não me reconheço… Paro, olho para o espelho e enxergo diversos contornos, inúmeras personalidades, faço um sorriso diferente do outro a cada dia. Será um novo sentimento, ou será um novo tormento?
“Sorria, erga a cabeça, continue em frente… Viva!” diz a personalidade convicta e otimista de uma parte, ainda em desenvolvimento, da minha mente. “Não dá, não posso. Não fuja de si mesma” retruca uma personalidade indomável com toda uma voracidade inquestionável. O que faço? Vivo ou pereço; luto ou desisto; fujo ou fico?
Os sentimentos são uma teia de aranha, um fio por cima do outro, porém resistente e ao mesmo tempo sensível, são imaginações e projeções de um futuro que nem sempre se cumpre, às vezes uma falsa profecia.
É seguindo e me encontrando , assim que vivo.
por : PatríciaP.